A dupla Waldez Góes e Clécio Vieira, respectivamente
governador do Amapá e prefeito de Macapá, como Batman e Robin, vem aparecendo
junta desde o início da Pandemia de coronavírus que assola o Amapá. Waldez
governa o Amapá há 14 anos e Clécio governa a cidade de Macapá há 8 anos. Eles
prometeram trabalhar juntos e ambos garantiram que o estado estava preparado
para enfrentar os problemas causados pela pandemia, juntos eles anunciaram uma
série de ações, que serviriam para mitigar os estragos causados pelo coronavírus.
Em março, quando a pandemia chegava à Macapá, o prefeito declarou com firmeza:
“temos uma rede pública municipal preparada para o enfrentamento do
coronavírus”. Apesar das promessas, o que a população do estado está vivendo é
muito diferente do que foi prometido pelos dois políticos.
Diante do desespero, para espanto de todos, apesar das
promessas de trabalho integrado e conjunto, ontem, 25/5, durante o programa
Conexão Repórter do jornalista Roberto Cabrini, os dois gestores tentaram se
isentar, cada um a seu modo, da responsabilidade pelo atual caos vivido na
saúde pública. O prefeito diz que não é com ele e o governador se diz vítima de
Fake News de que ele teria três UTIs completas em sua residência.
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| Josiel, Waldez e Clécio juntos em fevereiro, em pré-campanha para o irmão do presidente do senado Davi Alcolumbre |
Clécio e
Waldez: um projeto político em comum
Em comum o prefeito Clécio e o governador Waldez têm o
abandono de estruturas quase prontas de saúde para servir ao público, além da
afinidade política, que se tornava cada vez mais evidente no início do ano -
quando os dois se uniram para a poiar o irmão do presidente do Senado Davi
Alcolumbre, Josiel Alcolumbre para a prefeitura de Macapá . O prefeito Clécio,
que está há 8 anos à frente da prefeitura, não concluiu o hospital
metropolitano na zona norte da cidade, que aliviaria muito a superlotação dos
outros hospitais da capital. Em 2017, a situação do hospital parecia
encaminhar-se para uma solução com a assinatura de convênio entre Prefeitura e
o Governo do Amapá que indicava a entrega e funcionamento do espaço. A previsão
era de que a obra fosse concluída em dois anos. Na época, 70% das estrutura
estava concluída. Mas nada aconteceu.
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| Hospitais que poderiam garantir o desafogamento da saúde no Amapá foram abandonados pelos dois principais gestores atuais no estado. |
O abandono de obras de saúde é um ponto em comum entre Clécio e Waldez
Por sua vez, Waldez Góes recebeu a maternidade da Zona
Norte, com 95% de sua obra concluída em 2014 (recentemente, 6 anos depois, ela
foi concluída às pressas para transformar-se no centro Covid 2) e recebeu
também o hospital de Santana, que estava com 85% de sua obra concluída. Os dois
hospitais, se tivessem sido concluídos nos últimos 6 anos, ajudariam a
desafogar o sistema de saúde do Amapá.
Apesar da afinidade que governador e prefeito demonstraram
em suas ações desde o começo da pandemia, as Unidades Básicas de Saúde do
município de Macapá, onde deveria, segundo o protocolo do Ministério da Saúde,
ser feita a triagem dos pacientes para que eles recebessem medicação, e aqueles
mais graves fossem encaminhados para os hospitais de alta complexidade, faltam
medicamentos, insumos e exames, falta também encaminhamento para os centros de
COVID-19 e a consequência são os corpos de cidadãos amapaenses que se acumulam
nessas unidades.
A unidade Marcelo Cândia foi fechada para reforma em plena
pandemia. O portal G1 conta que uma paciente com a tia diagnosticada com a
Covid-19, procurou a UBS Marcelo Cândia, no bairro Jardim Felicidade, quando se
sentiu mal, mesmo assim passou dias para realizar o exame e ainda sofreu com a
falta de medicação. "A minha tia passou três dias indo nas unidades
básicas de saúde tentando realizar os exames", relatou a moça ao portal.
Embora o governo do Amapá tenha recebido do governo federal
R$ 51 milhões para o combate ao coronavírus, os hospitais do governo estão em
situação caótica, pessoas amontoadas pelos corredores. Faltam medicamentos,
exames, EPIS e falta dignidade na hora da morte. As pessoas morrem sem nem
mesmo ter a chance de lutar pela vida.
Durante o programa Conexão Repórter o prefeito Clécio disse
que a Prefeitura Municipal de Macapá (PMM) recebeu apenas R$ 1,6 milhão para
combater o coronavírus, no entanto, basta fazer uma pesquisa simples no site do
fundo Nacional da Saúde para constatar que não é verdade. Segundo informações,
do site já foi repassado a Prefeitura de Macapá o valor de R$ 12 milhões de
reais.
Conforme
podemos ver nestas imagens abaixo:
Repercussão nas Redes
sociais - Facebook
Nas redes sociais o impacto da matéria exibida no Conexão
Repórter foi gigantesca. Havia uma expectativa enorme entre os amapaenses, que
acompanharam cada passo do jornalista Roberto Cabrini enquanto esteve no Amapá.
Tanto prefeito, quanto governador estão sendo responsabilizados.
- “No momento em que precisamos mais de ferramentas para
lutar contra o Corona o prefeito fecha uma UBS para reforma”.
- “O Estado do Amapa tem o terceiro homem mais poderoso da
República que nem veio aqui ser solidário aos quase 200 mortos !!!” –
internauta referindo-se à ausência do presidente do Senado Davi
Alcolumbre(DEM-AP).
- “Desculpa, ele tirou do dele e colocou no outro. Em miúdos
disse : que morra no HE e não na UBS”
- “Esse senhor aí tem que ser cobrado pelo hospital metropolitano
que ainda no período de campanha eleitoral há quase 8 anos atrás, foi prometido
por esse sujeito e até agora nada.”
- “Lamentável.... pois o que percebemos , é que
os hospitais não têm estrutura nem para tratar doenças corriqueiras, e os
pacientes de COVID vão pra lá, somente para falecer , essa é a realidade.”






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