Quem é Davi Alcolumbre?




Alguns amigos, especialmente de outros estados, me fizeram essa pergunta nos últimos dias. Aguardei uns dias para tentar condensar e aqui segue uma preliminar.
Para falarmos de Davi, primeiro temos que nos referir à sua família. A família Alcolumbre é uma das mais ricas do Amapá. São dominantes na distribuição e comércio de combustíveis, tem forte presença na pecuária, nos meios de comunicações, automóveis e no comércio varejista de vários tipos de produtos. Juntamente com mais um ou dois grupos, podem ser considerados o maior conglomerado empresarial do estado. Família de judeus marroquinos, sua fortuna tem origem no comércio do início do século XX destas terras da borracha, do comércio dos garimpos de ouro e da participação no projeto Jari, do bilionário americano Daniel Ludwig. Davi deve sua entrada na política à família, daí sua primeira eleição para vereador ainda bem jovem. Sim, um jovem não antipático com uma família muito rica. Digamos que o jeito não atrapalhava (muito) e a bala na agulha tinha-se de sobra. Ainda me lembro das dezenas de carros de som circulando pela cidade tocando um jingle de gosto duvidoso... Depois da vereança foi deputado federal e chegou ao senado em uma eleição bastante disputada, por pouquíssimos votos, graças a parte da "esquerda" e do "progressismo" amapaense que fizeram campanha para Davi para 'derrotar o mau maior' (naquela época era Gilvan Borges-PMDB). Antes, durante quase todo o tempo da sua carreira, fora aliado do grupo político auto-denominado como 'Harmonia' que consistiu em um grande condomínio político entre o então e ainda governador Waldez Góes (PDT) e a assembleia legislativa, judiciário e mídia do Estado. Deste grupo, muitos foram e ainda estão presos em esquemas e seguidas operações da polícia federal que ficaria deveras enfadonho enumerar aqui, porque foram muitas. Apenas para dar uma noção, é normal por aqui acordarmos com as piadas de que a 'federal já chegou no aeroporto', de tão corriqueiro que isto se tornou. Com o autofágio da harmonia, um bloco excêntrico - para ser elegante na definição -, se formou. O senador Randolfe Rodrigues, o prefeito de Macapá Clécio Luís e o Senador Davi são o atual bloco político que demonstra vitalidade para o futuro mais próximo, mas não sem contradições enormes. Por exemplo, Davi e seu grupo acabaram de perder as eleições para o governo do estado. Isso é outra realidade sobre o Davi: o moço é ruim de votos. Só com muito, muito açúcar que essas formigas fizeram algum mel. Davi, com o apoio do prefeito da capital, de outros prefeitos, do senador mais votado (Randolfe) e bastante estrutura de campanha, amargou um terceiro lugar. Sequer foi para o segundo turno, ficando atrás do governador morimbundo e do candidato do PSB que concorreu totalmente isolado. 
Bom, eu não sei bem quando isso começou, quero entender em que mundo eu fui parar, mas esses dias comecei a escutar o senador Davi falar em "nova política". Hoje o ouço falar isso de novo. Davi enfrenta processos, tem investigações contra si (basta googlear aí), foi vice líder de Temer no senado ano passado, votou a PEC da restrição de investimentos, votou a reforma trabalhista, é oriundo do mais manjado e viciado processo eleitoral castigado pelo poder econômico... Não há nada, absolutamente nada que possa ser considerado como nova política com Davi Alcolumbre, ao contrário, ele é irmão gêmeo da renovação das oligarquias que colocam filhos e netos na política para perpetuarem seu poder.
Há ainda outro elemento a ser colocado. Davi destaca-se pela ausência completa de qualquer brilho, erudição ou qualquer outra característica nobre que me forçasse a registá-la em nota. Mas como então, tornou-se presidente do senado brasileiro e do congresso nacional? Pois é, ter chegado a este ponto mais depõe sobre a qualidade do Brasil dos dias de hoje do que falam bem de Davi... Foi uma vitória do baixo clero em tempos em que a mediocridade é bem recompensada.

Por fim, e o mais importante de tudo isso: Davi é nosso inimigo de classe. Pouco me diz ou importa se ele nasceu no Amapá. Ele será, junto com Maia e sob o comando de Bolsonaro/Mourão/Guedes, os que atacarão os trabalhadores, os mais pobres, a juventude do Brasil com as contra reformas que os banqueiros exigem. Teremos batalhas homéricas este ano e certamente este Davi é um pária, um dos que está ao lado dos Golias que querem amassar à todos nós de baixo! Davi? Nunca nem vi...

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